Velho!

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Paro no sinal vermelho e olho para o lado direito. Vejo uma senhora de não menos que 60 anos balançar o corpo enquanto ouve o rádio em volume altíssimo no carro. Sorrio desconcertado e sigo meu caminho. Minutos depois, ao me aproximar de meu destino, vejo um homem de cabelos brancos trajando apenas bermuda e camiseta alongando-se. Estas cenas teriam passado desapercebidas se não fosse pela surpresa dos primeiros minutos de aula.

Começo de semestre. A professora adentra a sala de aula vestindo um sorriso. A primeira atividade é uma partilha rápida sobre as férias. Natal, ano novo, viagens etc. A última a falar foi a professora, que começou dizendo: “Minha companheira e eu ficamos em casa…” Eu que tinha o olhar preso às páginas de um livro, levantei a cabeça em câmera lenta e observei a reação de meus colegas. Ninguém pareceu se importar com aquela informação. Eu, no entanto, tinha uma cara de surpresa desconcertante.

Apenas depois da meia-noite, quando apaguei a luz e deixei meus pensamentos fluírem sem censura, foi que entendi meu incômodo. Minha surpresa não se devia ao fato da professora ser homossexual, mas à idade dela.

Depois de tanto lutar comigo mesmo para superar meus preconceitos em relação à raça, cor, credo e orientação sexual, me flagrei pondo algemas em idosos.

Não, Roque Neto, nem todos os idosos estão trancados em casa com agulhas de crochê nas mãos, uma tv diante deles e netos ou bisnetos fazendo barulho na sala ao lado. A população à cima de 60 anos é na sua maioria composta de mulheres e possui hábitos tão saudáveis quanto os mais jovens. Isto é verdade especialmente nos países mais desenvolvidos onde a expectativa de vida tende a crescer.

Não é suficiente que o mercado se adapte a esta nova realidade, criando produtos e serviços para os mais velhos. Ainda se faz necessário combater o preconceito silencioso de pessoas como eu, que tende a tratá-los como se eles fossem bebês necessitados de cuidado. Já até mesmo notei que, ao conversar com idosos, tendo a falar alto e a usar palavras mais simples, supondo que eles terão dificuldade de me compreender.

Finalmente, depois de tanto pensar sobre o tema e resolver escrever este texto, conclui que velho não é o vigoroso homem de 68 anos que sai para sua caminhada diária ao amanhecer. Velho é o comportamento de quem acredita que permanecerá jovem para sempre. Velha não é a senhora que cantarola e remexe o corpo enquanto dirige. Velha é a consciência de quem ainda tenta rotular os demais e esqueceu de reverenciar o diverso.

Afinal, se por um instante você esquecesse quantos anos tem, que idade você se daria?

Em busca da originalidade

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Na noite do último domingo, fui ao cinema. O filme escolhido foi “Blue Valentine” – não tenho a menor ideia de como traduzirão o título para nosso idioma. Minha intenção era apenas relaxar antes de reinicar a semana. O que parecia ser um filmezinho romanticamente leve, transformou-se em uma intensa surpresa.

“Blue Valentine”, estrelado por Ryan Gosling (Dean) e Michelle Williams (Cindy), conta a história de um casal desde o início inesperado e alegre do relacionamento até a maior das crises que enfrentaram. Contudo, o que havia de mais marcante no filme fora apresentado apenas como detalhe: duas cenas curtas sobre a experiência que cada um dos protagonistas teve com seus pais.

Ao identificar estes dois trechos minúsculos – as duas cenas juntas não somam mais do que 30 segundos – conclui que, embora conte a história de um casal, “Blue Valentine” não é um filme sobre a vida a dois. O que se sobrepõe é o fato de que a relação entre pais e filhos pode mais tarde afetar a vida conjugal dos mais jovens. Cindy cresceu em uma família marcada pela violência do pai e a submissão da mãe. Ao ver seu casamento atolado no marasmo, ela prefere o divórcio a envelhecer em situação parecida com a dos pais. Dean foi criado pelo pai, depois de ver sua mãe abandonar um casamento morno. Em vez do divórcio, ele se dispõe a qualquer sacrifício para não ver seu lar mais uma vez destruído.

Se pudesse resumir todo meu esforço para compreender “Blue Valentine”, diria que a grande lição do filme é a necessidade de sobreviver aos nossos pais.

Não, não estou falando de pais que atiram crianças pela janela. Refiro-me aos seus pais, aos meus pais. Àqueles que dão tudo de si para ver os filhos terem sucesso. Mesmo com a melhor das intenções, por inexperiência, ignorância ou simplesmente por limitações emocionais, eles deixaram marcas, e até mesmo nos feriram.

Não existe curso de paternidade ou maternidade. Na melhor das hipóteses existe uma expectativa, um planejamento, mas aí a criança chega ao mundo, e eles descobrem que pouco do que planejaram realmente funciona. Alguns talvez projetem nos filhos todas as suas expectativas e tentem se realizar neles: “Ah! Eu não tive a oportunidade de ser engenheiro, mas meu filho terá.” Outros se sentem tão culpados por não priorizarem a família, que acabam esquecendo que crianças precisam de limites, rotina e estabilidade para se desenvolverem. Também tem aqueles inseguros que usam de violência física para se imporem, mesmo quando a vítima é apenas uma criança de dois anos.

Na relação com os pais somos marcados (e/ou feridos?) não tanto pelos fatos negativos que vivenciamos, mas pelas ações positivas que esperávamos acontecer e não aconteceram. Enquanto crianças desejamos que o bom-pai e a boa-mãe nos ofereçam oportunidades de crescimento e apoio incondicional enquanto nos arriscamos entre erros e acertos. Mais do que tudo isto, queremos que eles se amem e nos amem, e que permaneçam juntos para sempre.

Creio que não preciso me alongar com o fato de que ao crescer descobrimos que a realidade não é como sonhamos. Pais se enfurecem, machucam uns aos outros, nos machucam, se arrependem, se perdem. Quem sabe, eles estejam apenas reencenando o roteiro dos pais deles…

Diante de tudo isto, me pergunto até que ponto os personagens do filme eram de fato livres para tomar tais decisões. Quando Cindy descobrirá que o divórcio é apenas uma das soluções possíveis para a crise que enfrentavam? Quando Dean perceberá que sua excessiva devoção à família é apenas um modo de compensar o fato de ter crescido longe da mãe?

Quando Miguel, Paulo, Mariana, você e eu notaremos que ao selecionar nossos parceiros, escolhemos exatamente aqueles que, de algum modo, lembram nosso pais? Quando entenderemos que a peça que tentamos encenar é a mesma que tínhamos diante dos olhos ao crescer?

A vida não é totalmente determinada, condicionada, pelo relacionamento que temos com os adultos mais significantes. Contudo, apenas as pessoas que cresceram em liberdade interior conseguem se desfazer mais facilmente das amarras que tais relações podem criar. Apenas aqueles que cultivam a interioridade se tornam livres para partir em busca da originalidade.

Talvez sim. Talvez não.

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Roberto tomou o metrô às 17 horas na Praça da Sé, em São Paulo. O fato de não ter espaço suficiente para apoiar os pés e o cheiro de corpos suados depois de um longo dia de trabalho eram insignificantes se comparados à dor que levava no peito.

Apenas 40 minutos antes, ele estava sentado diante de Priscila, a chefe do departamento pessoal da loja em que trabalhava como vendedor.

- Pois é, você é um funcionário bom. Tem curso superior. Chega sempre na hora. Mas você sabe, Roberto, estamos passando por um período de contenção de despesas. – Priscila disse sem tirar os olhos dos documentos que estavam sobre a mesa.

- Pelo amor de Deus, preciso deste emprego. Tenho que sustentar meus pais.

O desespero de Roberto de nada valeu.

Ao contar o fato para seu pai, o rapaz concluiu dizendo:

- Isto é péssimo. Estamos arruinados.

- Talvez sim. Talvez não. – Disse o velho, enquanto esquentava a janta do filho.

Três semanas depois, Luís, o vizinho, veio logo cedo falar com Roberto.

- Olha só, fiquei sabendo de duas oportunidades de trabalho.

- Onde é?

- A mais interessante é em uma loja de celulares. Estão precisando de um gerente. Um amigo meu trabalha lá dentro. E como você é formado em administração e tem experiência como vendedor, pensei que seria uma boa oportunidade.

- Parece perfeito.

Roberto nem queria ouvir a segunda opção, mesmo assim Luís continuou:

- O segundo trabalho é em um restaurante. Eles estão precisando de cozinheiros.

- Você tá louco? Cozinho aqui em casa, mas não profissionalmente.

- É um restaurante russo que acabou de abrir lá na Avenida Paulista. Eles estão oferecendo inclusive treinamento.

Roberto ligou para a loja de celulares e combinou a entrevista.

Encontrou o pai no jardim e sem mencionar o restaurante russo, lhe falou da entrevista que faria três dias depois.

- Vai dar tudo certo. Este emprego é a oportunidade da minha vida.

Seu pai se limitou a dizer:

- Existem mais ferramentas no seu bolso do que você imagina, meu filho.

Cinco dias após a entrevista, Roberto ligou para a loja para perguntar pelo resultado e ficou em silêncio ao saber que outra pessoa fora escolhida para o cargo.

- O negócio está pesado, pai. Não temos mais nenhuma opção.

- Filho, as nuvens escuras apenas encobrem os raios de luz, elas não os destroem.

Passaram-se quatro meses.

Faltava meia hora para o expediente de Roberto no restaurante russo terminar, quando foi chamado pelo chefe. Roberto sentiu um frio na barriga.

“Acho que já vi este filme antes” – Pensou.

Ao sentar-se diante do dono do restaurante, Roberto tentava controlar o tremor das pernas. Passou a mão no rosto para secar as gotas de suor que se formavam.

Mais uma vez ao tomar o metrô não se importou com a multidão ao seu redor. Seu coração pulsava como a bateria de uma banda de rock. Sentiu alguém tocar suas costas. Ao virar com dificuldade viu que se tratava de Luís.

Depois de se cumprimentarem, Luís disse:

- Cara, lembra daquela loja de celulares?

- Claro que sim.

- Um amigo me falou que ela foi fechada.

- Que pena. – Roberto lamentou.

- Mas e aí, como está lá no restaurante?

- Pois é, hoje fui demitido. Não sou mais cozinheiro.

- Droga, cara. Sério?

- Sim, a partir de amanhã assumo como gerente.

Ao caminhar até sua casa Roberto concluía que na vida existem poucas certezas. Acontecimentos têm mais de um significado. Perdas podem se transformar em vitórias.

“Basta se manter aberto ao imprevisto.” – Pensou, enquanto observava um grupo de crianças jogar futebol na rua.

Minha barba, uma metáfora da descoberta de si

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Quando criança, observava meu pai se barbear e sonhava com o dia em que também seguiria aquele ritual cotidiano. Anos depois, me escondia no banheiro para raspar os poucos fios de meu rosto, no desejo de vê-los se multiplicarem. Agora que sou adulto, descobri que minha barba significa muito mais do que tempo perdido diante do espelho e pequenos cortes no pescoço. Ela se tornou um símbolo do adulto que em que me transformei.

Por volta dos 21 anos, tive a primeira grande decepção com minha barba. Percebi que, por mais que me esforçasse para mudá-la, ela sempre nasceria igual. Alguns homens têm a metade do rosto coberto de pelos. O meu é apenas contornado por uma linha estreita, com mais fios sob os lábios e poucos na bochecha.

Naquele mesmo período, notei que alguns traços de minha personalidade pareciam imutáveis. Por mais que tentasse combatê-los, eles continuavam ali. Queria ser mais extrovertido, aventureiro e rir de qualquer piada estúpida, sem a necessidade de analisá-la.

Como não gostava de minha barba, decidi raspá-la todos os dias. Passei a alimentar a ilusão de que algum dia ela poderia se tornar um pouco mais espessa. Fazer a barba era apenas o começo do esforço diário de ser um outro. Tentar parecer confortável jogando futebol, quando eu preferia xadrez. Estar rodeado de amigos, mesmo almejando o silêncio. Até acordar cedo aos sábados para acampar, embora quisesse ficar na cama lendo algum clássico.

Seguidos cortes no rosto e a certeza de que a vida não parecia tão divertida quanto poderia ser me fizeram sair em busca daquele que eu realmente era. Passei a experimentar todas as possibilidades que os pelos de minha face ofereciam: cavanhaque, costeleta, bigode fininho, barbicha embaixo da boca, bigode ao estilo Hitler, etc.

Desfilava estas diferentes combinações em saraus literários, baladas e caminhadas solitárias na praia. Divertia-me com grupos de igreja, rock’n roll, e pelada.

Depois de experimentar tantas possibilidades, decidi simplesmente deixar os pelos do meu rosto crescerem. À medida que descobria o que realmente me dava prazer, e era capaz de assumir estas descobertas, passei a criar uma rotina. Aparava a barba e a deixava crescer por duas ou três semanas. Então, repetia o ciclo.

Hoje, já adulto, trato minha barba e a mim mesmo com maior flexibilidade. Continuo mantendo uma rotina, mas também sinto prazer em usar apenas bigode por algumas semanas ou meses. Da mesma forma, também encontro satisfação em deixar o mundo das teorias, em que vivo imerso, para me divertir em um parque jogando frescobol ou em um show de música alternativa.

Nas últimas férias deixei a barba crescer mais do que o habitual e pela primeira vez notei que do lado esquerdo tenho vários fios vermelhos. A vida adulta, em vez de representar o fim de um ciclo de mudanças, é o grande momento de descobertas. Nesta etapa do desenvolvimento, sinto-me seguro para explorar áreas de minha existência que até agora passaram desapercebidas. Muitas transformações ainda estão por vir. Mal posso esperar até encontrar os primeiros fios brancos e a certeza da maturidade.

Cresça e se redescubra.

Síndrome da ovelha suicida

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Uma ovelha se esguia por baixo da cerca. A todo custo ela deseja se afastar do rebanho. Ela almeja abandonar aquele espaço seguro. A ovelha sabe que para além daquela cerca existem lobos famintos à espera de uma presa. Ela não os teme. Ao contrário, os busca…

A imagem de uma ovelha suicida lhe parece desconcertante? Talvez você ainda não tenha reparado que o mundo está repleto de vítimas à procura do algoz. Quando paro e penso em alguns casais que estão juntos há pouco ou muito tempo, não consigo encontrar outra imagem para expressar meu espanto. É fácil olhar para os demais. Difícil é assumir que eu também já andei à procura de predadores. Às vezes também sou uma ovelha suicida à procura do lobo.

Como entender a síndrome da ovelha suicida? Como explicar o caso de Mônica, uma profissional de sucesso que, não deixa apenas as decisões nas mãos do esposo, deixa também o salário e as chaves do carro? Árduo empreendimento… Talvez pudéssemos começar lembrando uma afirmação que fiz em outro texto publicado aqui no Blog Sentido: a pessoa capaz de cuidar de si mesma jamais sentirá solidão.

A solidão (real ou imaginada) talvez seja um dos motores mais fortes do ser humano. Como explicar a sede desesperada por conexão reinante em nossos dias? Um dos problemas é que ao buscar conexões olhamos para fora e não para dentro. Queremos nos conectar com outros antes de ter feito a conexão interna, que significa aceitação e amor-próprio.

Quanto maior a aceitação de si mesmo, menor será o desejo de encontrar alguém mais forte que salvará ou arruinará sua vida definitivamente.

Relacionamentos interpessoais têm um ritmo próprio. Notamos sem muita dificuldade quando alguém está desesperado por afeição. Nada comparado ao radar dos predadores. Eles estão sempre à espreita, esperando alguém de quem possam tirar vantagem.

Sim, existem predadores. Felizmente, o número é reduzido. Entretanto, se a ovelhinha suicida procurar atentamente ela encontrará o seu predador. Encontrará aquele ou aquela que de tão ferido pouco se importa em seduzir e depois abandonar. Atrair para ferir. Usar para descartar.

Amanda conhecia a fama que Luís tinha no bairro. Rogério foi avisado que Carla gostava mais de carros e grifes do que de pessoas. Pedro bem que desconfiou da amizade aparentemente desinteressada de Marcos. Uma frágil voz lá dentro lhe dizia que algo estava errado. Contudo, a sede por conexão era maior. O desejo de ser amado, de ser visto com alguém, de ter uma companhia para a balada da sexta-feira era mais forte do que o hábito de olhar para si mesmo.

Enquanto o cuidado de si não for suficiente para gerar moderação na busca por conexões e afeto, a ovelhinha continuará à procura do lobo. Não importa quão cuidadoso seja o pastor (família, amigos, aqueles que genuinamente se importam com você), a ovelha sempre dará um jeito de escapar. Algumas notarão a tempo que o preço é maior do que ganho, e voltarão. Outras passarão a vida inteira aos pedaços. Algumas vezes até implorarão para que o lobo volte, e lhes faça companhia, mesmo que desta vez abocanhe uma de suas pernas ou mesmo seus olhos, o que não lhes fará muita diferença pois já desistiram de caminhar com as próprias pernas ou de lançar um olhar atento à realidade que as rodeia.

Celebrar a vida…

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Antonio deixou o hospital depois de receber transplante de coração. Maria chegou intacta em casa após sofrer um acidente de trânsito. Lucas não conteve as lágrimas ao receber o resultado negativo para o teste de AIDS. Marcela venceu o câncer depois dolorosas sessões de quimioterapia. Eles se sentiram felizes, como se lhes tivesse sido dada uma oportunidade de recomeçar a vida.

Você não precisa experimentar uma situação extrema, tampouco sentir que lhe foi dada uma nova chance – pois esta pode não vir – para manter o coração aquecido e os olhos naquilo que realmente importa. Simplesmente, aprenda a celebrar a vida.

Durante as festividades que acabaram de passar, talvez você estivesse muito ocupado com amigos, familiares, presentes, comida, roupa branca e outros rituais, para notar que o mais interessante desta época é a gratidão por estar vivo e a certeza de que sua vida está no caminho certo. E que, além de tudo isto, você também aprendeu com os erros.

A celebração da vida que proponho não é algo tão intenso como as celebrações de final de ano. A celebração que sugiro é a do cotidiano, feita de pequenas ações que podem trazer a certeza de uma vida com sentido e feliz.

Aqui vai uma listinha de pequenas ações que podem incrementar a celebração diária de sua vida.

1. Abrace os membros de sua família. Não apenas fisicamente, abrace-os em suas fragilidades e limitações. Abrace-os como eles são, e deixe de lado suas expectativas em relação a cada um deles.

2. Evite os comportamentos auto destrutivos. Para que se arriscar tomando medicamentos sem consulta médica? Qual o sentido do sexo sem amor e sem proteção? Por que continuar em um relacionamento marcado por rancor, ciúmes e rompantes de violência?

3. Silencie. Dedique-se a encontrar um momento no dia que seja apenas seu e persevere. Apenas um momento, sem pessoas, tv, telefone, etc. Escute-se. Conecte-se com aquilo que existe de mais profundo em você.

4. Descubra o que lhe dá prazer, mas não sei deixe escravizar.

5. Comece uma atividade totalmente diferente daquilo que você fez até hoje, e aprenda novas formas de ver o mundo. Escrever um diário, tocar um instrumento musical, matricular-se em um curso de dança ou mesmo de surfe, ou ainda ingressar em um grupo de trabalho voluntário…

6. Exercite-se!

Continue a lista. O que importa é que você descubra modos de celebrar sua existência todos os dias, tonando-os especiais de modo que nem um dia se passe sem que você vá dormir com o coração cheio de gratidão pelo dia que passou.

Feliz 2011!

Descanso

C

Queridas leitoras, queridos leitores do Blog Sentido… Saudações!

Este texto breve apenas para comunicar que estou saindo de férias por algumas semanas e neste período não postarei nenhum artigo aqui… Neste período além de me deixar inspirar por minha família e tantos outros que amo, também estarei realizando um sonho que é o lançamento do livro “Narciso: Tédio e Fúria”. (Visite o site oficial do livro www.narcisotedioefuria.com.br e veja o Vídeo promocional de \”Narciso: Tédio e Fúria\”)

A você que tem acompanhado o Blog Sentido, minha gratidão e meu convite a retornar a esta página em janeiro… A você que está nos visitando pela primeira vez, recomendo ler os textos mais antigos. São mais de 80 publicações…

Em janeiro voltarei com mais reflexões, contos e pensamentos. E claro, com fotos para nossa página no facebook.

Boas festas a todos!

Roque Neto

Pensamento

“Sabedoria é o prêmio daquele que foi capaz de enfrentar a dor sem mergulhar no desespero” por Roque Neto.

Sabedoria

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Um dia entenderei que…

1. Enxergar a beleza e o valor de cada ser humano é tão útil quanto celebrar as próprias vitórias.

2. Compaixão talvez seja o que exista de mais profundo e, ao mesmo tempo, o que nos conecta com os demais.

3. Sabedoria não depende tanto do tempo, mas da habilidade de aprender com os próprios erros.

4. Não importa o quanto busque o prazer, as honras e as vitórias, na vida haverá também espaço para dor, vergonha e perda.

5. Comportamentos podem ser transformados.

6. A existência humana não é feita apenas de individualidade. O ser humano tende naturalmente para aquilo que está além de si mesmo.

7. Sou meu maior inimigo, e que mesmo assim mereço ser amado.

8. Não é necessário tornar-me vítima dos sentimentos e que de nada adianta negá-los.

9. Felicidade e paz de espírito podem surgir exatamente quando sou capaz de abrir mão.

10. Minha história é apenas parte do que sou, não o meu destino.

Solidão: distância de si

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Felipe deveria estar cheio de energia para começar uma nova semana. O feriado de 15 de novembro havia sido perfeito para descansar. Entretanto, ao acordar naquela terça-feira, Felipe sentia-se mal. Era como se algo de muito errado tivesse acontecido. Em vez de levantar-se e abraçar o dia que começava, encolheu-se sob as cobertas e fechou os olhos para conter as lágrimas.

Seria melhor dormir e ignorar aquele aperto que sentia no peito. Por mais que tentasse, Felipe não conseguiu dormir e sem que fizesse esforço algum, quatro palavras saíram de sua boca em um tom de confissão inesperada: “Me sinto tão sozinho”. Muito embora Felipe fosse uma daquelas pessoas com dezenas de contatos no seu telefone celular, o sentimento era verdadeiro. Estava sempre rodeado por tantas pessoas, mas não conseguia se conectar com elas de modo mais íntimo. A nenhuma delas havia aberto o coração.

Para dar vazão à tristeza que trazia em si, Felipe acessou em sua memória um repertório de músicas tristes. Percebendo a estupidez daquela cena, interrompeu a sequência de músicas deprimentes, levantou-se, olhou no espelho e disse para si mesmo, como se fosse um desafio: “Sou um homem de 32 anos, tenho uma vida estável e venho crescendo profissionalmente, mas não tenho uma pessoa especial com quem partilhar minhas vitórias.”

De fato não há nada mais legítimo para um adulto do que encontrar aquela pessoa com quem partilhará sua vida, fará planos, construirá sonhos e se sentirá em casa pelo simples fato de estar uma na presença de quem ama. Entretanto, o que Felipe no fundo esperava era alguém que aparecesse em sua vida de modo arrebatador e o libertasse de si mesmo. Alguém que tomasse conta de sua vida. Uma pessoa que lhe trouxesse redenção e preenchesse todas as lacunas de sua vida emocional.

O que o brilhante engenheiro não havia entendido é que a origem da solidão está dentro de cada um. À medida que se distanciava de si mesmo em busca de alguém que o consolasse, a solidão apenas aumentava. A busca por relações interpessoais jamais reporia aquela conexão emocional interna que em algum momento havia sido quebrada. Não importa quão estimulante seja um relacionamento, quanto mais a pessoa busca fora de si aquilo que está dentro dela mesma, maior será a sensação de estar sozinho.

Buscar nos outros o remédio para o vazio no peito é também um modo de destruir um relacionamento. Fazer-se dependente do outro é o início de jogos de manipulação, nos quais um se coloca sempre no lugar de vítima, e deixa nas mãos do outro a responsabilidade sobre si mesmo. É como deixar sua carteira com talão de cheques e cartão de crédito dentro do carro, e entregar as chaves do mesmo ao primeiro desconhecido que você encontrar.

Felipe precisa se reconectar com a força que existe dentro de si, e simplesmente se enamorar de sua existência. Quanto mais procurar a resposta fora de si, mais vazio de sentido ficará. Apenas pessoas com sérios problemas emocionais conseguem alimentar por muito tempo as expectativas de um adulto dependente que espera ter seus desejos atendidos tal como a criança que chora às 3 horas da manhã para ser amamentada.

O que Felipe, você e eu precisamos entender é que a pessoa capaz de cuidar de si mesma, jamais sentirá solidão, pois ela irradiará a luz que cultivou em sua interioridade o e não existe nada mais atraente do que alguém feliz consigo mesmo.

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